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Você sabia que Lorena teve um aeroporto?

03/06/2022

LORENA TEVE UM AEROPORTO! Durante 25 anos (de 1948 a 1973), no Horto Floresal, de escala em voos RJ – SP. Quem conta pra gente é o jornalista João Bosco Pereira de Oliveira – “Paçoca”:

“O fato é histórico e praticamente desconhecido da população, mas o pesquisei nos 40 anos do meu Jornal Guaypacaré e nas centenas de livros da minha biblioteca particular, sobre a história de Lorena.

Em 1948, um Douglas DC-3 vinha do Rio de Janeiro — então a capital do Brasil, pousava em Lorena, no Aeródromo, no Horto Florestal, desembarcava e embarcava passageiros e decolava para São Paulo.

Lorena era escala e os aviões faziam a mesma rota, só que inversa (SP-RJ), no mesmo dia, com outro avião. Havia dias em que o voo era feito por um PP-AJA e, noutros dias, por um PP-AJB, tudo segundo o livro de registros de pousos e decolagens do aeródromo de Lorena.

O Aeroporto de Lorena durou de 1948 a fevereiro de 1973, quando o antigo Horto Florestal virou Reserva Ecológica para confinamento de animais silvestres, englobando o terreno do Campo de Aviação, pondo fim a esse glorioso capítulo da história de nossa cidade.

A empresa aérea que fazia essas escalas em Lorena, chamava-se TAL – Transportes Aéreos Ltda, do Rio de Janeiro, desde dezembro de 1947. Em 22 de dezembro de 1949, a TAL foi modificada para a denominação TAC – Transportes Aéreos Catarinenses, com frota inicial de dois C-47 (que também era chamado de DC-3), e chegou a ter 5 aeronaves. Foi absorvida pela Cruzeiro do Sul, em janeiro de 1966.

O veterano piloto e ex-diretor do também histórico Aeroclube de Lorena era o lendário e inesquecível dr. Epitácio Ferraz Santiago (noutra oportunidade vou falar só do passado e informações dos importantíssimos acontecimentos deste Aeroclube de Lorena). Dr. Epitácio também dirigiu o Horto Florestal por décadas, recebeu aqui os presidentes da República Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra, dentre tantas façanhas que, noutros momentos, eu conto…

Então, o dr. Epitácio Ferraz Santiago contava que “era significativo o número de passageiros embarcando no Aeródromo do Horto Florestal”.

A nora do dr. Epitácio, esposa do popularíssimo e também inesquecível “Gaúcho” (que brincava com todos soltando sonoros palavrões!), D. Tereza Santiago, “foi ao Aeroporto de Lorena para embarcar para o Rio de Janeiro… mas o avião estava demorando… e não havia uma estação de embarque propriamente dita… Então, os passageiros ficavam pelas imediações do hangar e até utilizavam as instalações do escritório do Aeroclube”.

As passagens dos aviões eram vendidas por outra figura lendária e histórica em Lorena: o popularmente chamado de João “Paraná”, desde aquela época já proprietário da Casa Cruzeiro de Comércio e Representações, na rua Comendador Custódio.

No Jornal de Lorena “O Décimo Quarto”, de agosto de 1948, as viagens aéreas de Lorena para São Paulo e Rio de Janeiro, pela TAL, eram assim divulgadas: “Segurança, conforto e rapidez… pela TAL… só com o Agente João Paraná, na Casa Cruzeiro, telefone 17-J-20, Lorena”.

O “guarda-campo” — que era a pessoa que cuidava da infraestrutura do Aeródromo interiorano, com a incumbência de manter as condições de operação da pista de pouso, das instalações do hangar, além de fazer anotações sobre o movimento dos aviões e dados metereológicos sumários, como direção predominante do vento, nebulosidade e precipitação diária — era um homem chamado Theóphilo e morava numa casa atrás do hangar. Ficaram famosos os cafés que a família dele faxia para serem servidos aos passageiros da TAL, antes do embarque.

Para o corte da grama da pista do Aeródromo, o filho do Seu Theóphilo, chamado Maurílio, mais outro filho, o Hélio… utilizando uma máquina de aparar o mato, puxada por uma junta de bois.

O capim era entregue a uma colchoaria porque, naquele tempo, a maioria dos colchôes eram recheados com grama e não espuma ou ortopédicos.

Tenho — como já disse no início deste artigo — muito mais que 100 histórias de Lorena, desde antes, até da construção da capelinha em devoção à Nossa Senhora da Piedade, à beira do Paraiba, em 1695… ou 1698… ou 1705 (há discordâncias), junto ao mais importante porto do rio Paraiba, o Porto de Guaypacaré!

Tenho artigos do saudoso e importantissimo historiador dr. Paulo Pereira dos Reis… e do meu ilustre colega acadêmico da Academia de Letras de Lorena, Wanderley Gomes Sardinha (Prêmio Nobel da Paz – “Boina Azul” no Oriente), também historiador eminente, ambos mostrando que, desde 1560, o governador Mem de Sá, da “Colônia” do Brasil, mesmo com o Brasil recém-descoberto, já ordenou a Brás Cubas, explorador, fundador de Santos, duas vezes governador de São Vicente, que foi ele também quem fundou… e fundador, ainda, de Mogi das Cruzes… Mem de Sá, do Brasil, ordenou, já em 1560, que Brás Cubas navegasse pelo rio Paraiba, até o Porto de Guaypacaré (!!!), em busca de ouro, pedras preciosas e outras riquezas!

Os historiadores lorenenses contam, ainda, que daquela época, 1560, até a fundação de Lorena, com a capelinha à Nossa Senhora da Piedade, cerca de 80 (!!!) expedições de bandeirantes desceram o Paraiba até o Porto de Guaypacaré, explorando riquezas.

(Artigo com modificações e acréscimos meus, baseado no Livro “A Aviação em Lorena – Traços Históricos”, de Cesar Rodrigues da Costa, 2014, JAC Editora, São José dos Campos-SP)

(Fotos do Grupo Lorena em Fotos Antigas)”

 

 

 

 

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